Por que a Nami: um manifesta
Presente e Futuro Ético da IA em Saúde Mental
O uso de tecnologias de inteligência artificial (IA) na prática do profissional de saúde mental já é realidade para muitos de nós. Usamos IA para nos ajudar a resumir e transcrever registros clínicos, administrar o consultório, buscar e analisar artigos científicos. Contudo, cresce a preocupação com como o nosso foco de trabalho - nossos pacientes - usam essa tecnologia. As taxas variam, mas os estudos mais recentes sugerem que até 48,7% dos usuários de plataformas genéricas de IA (ChatGPT, Claude, Gemini) já usaram ou atualmente as usam com o intuito de, de alguma maneira, substituir o papel da psicoterapia em fornecer apoio emocional, validação e solução de problemas (Judd et al., 2025; McBain et al., 2026; Santos et al., 2025). Obviamente, esses chats genéricos de IA não são treinados especificamente para manejo de situações de sofrimento emocional agudo e não se aliam de maneira alguma ao tratamento de saúde mental. Mesmo assim, existe um claro interesse e percepção de benefício nesse uso.
Aqui temos uma lacuna importante: agentes conversacionais de IA sendo usados para algo semelhante a psicoterapia, mas sem o treinamento específico para isso. Ao mesmo tempo, há lógica que os pacientes busquem esses serviços; o ritmo acelerado do nosso cotidiano e a facilidade de contato telefônico e virtual passam a ilusão de disponibilidade completa do profissional de saúde mental. Nessa lacuna situam-se muitas das desconfianças de profissionais frente às questões éticas desses serviços, potenciais danos, viés e sub-representação em bases de dados, dependência excessiva, limitações de inteligência emocional e desafios na preservação da relação terapêutica (Oleribe et al., 2025; Philips Future Health Index 2025 Report, 2025). É fundamental que agentes conversacionais de IA sejam implementados sob princípios de confiança, competência técnica e validação proporcionais ao uso; confiabilidade operacional e continuidade; transparência do uso de dados; limites dos modelos com salvaguardas explícitas para encaminhamento em risco e não substituição do cuidado humano; e adaptações legais e culturais, conforme proposto por conselhos profissionais e projetos em andamento no legislativo brasileiro (Projeto de Lei 4348/25, 2025; Resolução do Exercício Profissional 9 2024 do Conselho Federal de Psicologia BR, s.d.).
Desse dilema nasce a Nami. Somos uma assistente conversacional baseada no WhatsApp e treinada em terapias cognitivo-comportamentais e comportamentais contextuais (ACT, DBT, TFC) para apoio em saúde mental 24h por dia, 7 dias por semana. Queremos ser uma ferramenta complementar do trabalho do profissional de saúde mental, construída por psicólogos e psiquiatras para psicólogos e psiquiatras, com limites claros de segurança, integração com a prática clínica e responsabilidade ético-científica no seu desenvolvimento. A Nami acredita que o futuro da IA em saúde mental precisa ser desenvolvido com quem entende de sofrimento humano: quem tem prática clínica, responsabilidade ética e compromisso com evidências. Sejam bem-vindos à Nami.
-Pedro, Danielle e Gerson